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| Foto: Altos Falantes |
Desde de garoto, sempre gostei de música e principalmente de aparelhos de som. Lembro como se fosse hoje, quando ficava olhando o aparelho de som do meu pai. Durante muito tempo eu não pudia chegar perto desse equipamento. Era quase um altar para meu pai. E para mim, era solo sagrado, ao qual eu não podia pisar. Ainda quando criança, certo dia, após o meu pai passar horas ouvindo apenas LPs do "Rei" Roberto Carlos, eu, com uns 6 anos e já cansado de ouvir aquela cantoria, peguei a almofada de areia que escorava a porta de casa e a joguei no toca discos. Rapaz! Foram umas boas "lambadas" que levei com um cinto de couro. Mas pensem que eu já não aguentava mais ouvir aquilo. E durante a faixa "Cavalgada", num rompante, matei a fatídica música que fala de uma foda mal dada de forma metafórica.
Mais a diante, quando já estava entrando na adolescência, passei a poder usar o tal aparelho de som. Mas aí minha pegada já era outra. Eu já começara a almejar vôos maiores, mais altos. Pensava mais no lado técnico da coisa. Montar aparelhos de som. Ajustar tudo, equalizar, criar uma "playlist" à moda antiga, gravando as faixas numa sequência específica, porém tudo armazenado numa fita K7. Cacetada! Estou velho, pois meu filho ainda não sabe o que é uma fita K7. Nessa época eu conheci a era de ouro das equipes de som. Cash Box, Furacão 2000, Pipo's e Gemini Rio foram algumas das que pude conhecer. Essa última, a Gemini Rio, uma equipe menor e não tão influente e famosa, tinha sede no meu bairro. Pude me embrenhar, praticamente como um penetra, só pra poder aprender e manusear toda aquela parafernália ao qual eu jamais poderia sonhar em ter acesso. Foram poucos anos, 2 no máximo, mas era muito bacana. Comutar todos aqueles aparelhos era quase como ter um orgasmo para mim. No final, ouvir tudo tocando perfeitamente e com uma bela qualidade de áudio era uma realização, mesmo que na maioria das vezes não remunerada. Mas eu era garoto e isso era melhor do que não fazer nada ou estar fazendo merda por aí.
Mais a diante, quando já estava entrando na adolescência, passei a poder usar o tal aparelho de som. Mas aí minha pegada já era outra. Eu já começara a almejar vôos maiores, mais altos. Pensava mais no lado técnico da coisa. Montar aparelhos de som. Ajustar tudo, equalizar, criar uma "playlist" à moda antiga, gravando as faixas numa sequência específica, porém tudo armazenado numa fita K7. Cacetada! Estou velho, pois meu filho ainda não sabe o que é uma fita K7. Nessa época eu conheci a era de ouro das equipes de som. Cash Box, Furacão 2000, Pipo's e Gemini Rio foram algumas das que pude conhecer. Essa última, a Gemini Rio, uma equipe menor e não tão influente e famosa, tinha sede no meu bairro. Pude me embrenhar, praticamente como um penetra, só pra poder aprender e manusear toda aquela parafernália ao qual eu jamais poderia sonhar em ter acesso. Foram poucos anos, 2 no máximo, mas era muito bacana. Comutar todos aqueles aparelhos era quase como ter um orgasmo para mim. No final, ouvir tudo tocando perfeitamente e com uma bela qualidade de áudio era uma realização, mesmo que na maioria das vezes não remunerada. Mas eu era garoto e isso era melhor do que não fazer nada ou estar fazendo merda por aí.
Pois bem, o tempo passou, pude ter alguns aparelhos bem legais. Meu gosto musical foi evoluindo, como já relatei aqui no blog anteriormente. E por fim, conheci uma tal de "audiofilia". Pensem em algo irreal. Pensaram? Então, uma coisa que pode ser classificada como irreal é essa tal "audiofilia". A grosso modo, audiófilo é o individuo que gosta de som, gosta de ouvir música com qualidade através de bons equipamentos de áudio. Mas na verdade, um audiófilo é o individuo que busca a perfeição na reprodução musical através de equipamentos de alta fidelidade. Parece algo muito bacana, e é de fato. Mas essa busca pela perfeição é que mata a brincadeira. Tudo fica sério demais e, por consequência, fica caro demais. Já vi gastos na casa de sete dígitos para montar uma sala de audição. Parece absurdo, não é mesmo. E na minha opinião, até certo ponto é. Mas isso não vem ao caso no momento.
Quando comecei nesse hobby de audiofilia, no primeiro momento fiquei empolgado. É curioso como um equipamento de som pode fazer muito mais do que imaginamos. E não digo no sentido desses equipamentos arrumarem a casa ou fazerem café para você e ainda tocarem música. Não é isso! É que ouvir música em aparelhos desse tipo acaba revelando coisas gravadas na música que as pessoas jamais ouviram antes. Vou tentar exemplificar. Meu melhor amigo e eu sempre gostamos de ouvir Michael Jackson. Desde o final dos anos 80, quando nos conhecemos, sempre ouvimos várias músicas, dentre elas a música "Don't Stop 'Til You Get Enough" do álbum Thriller. No meio dessa mpusica há um rife de metais, um que muita gente conhece e que era o tema de abertura do programa Video Show da Rede Globo lá nos anos 90. Tinha na gravação original várias vozes, literalmente um tremendo falatório no meio desse rife. O Quincy Jones deve ter gravado isso no estúdio e inseriu nesse momento da música. Então, já em 2008, quando falei pra esse meu amigo sobre esse novo hobby e sobre essa capacidade de reprodução dos aparelhos de alta fidelidade, ele ficou cético achando que eu estava exagerando como de costume. Haha! Lembro bem do pulo que eu ele do sofá quando botei essa música pra tocar e ele ouvir o tal falatório. Foi até engraçado ver ele próprio me dizendo com espanto que ouvia a tal música por tanto tempo e jamais tinha ouvido aquilo.
Depois dessa explicação maluca, explico também outra "ilusão" que "sistemas de som" são capazes de simular e que é algo que me encanta bastante. É o tal do "palco sonoro". Durante a gravação de um disco, o técnico do estúdio escolhe como aquela gravação irá se comportar ao ser reproduzida. Com os recursos da mixagem em estúdio, o técnico consegue arrumar todos os instrumentos gravados em trilhas de áudio individuais, de forma que ao ser reproduzido num bom sistema de som o ouvinte não ouça o som saindo diretamente das caixas de som, mas sim do espaço entre uma caixa e outra dando a impressão que cada instrumento, músico e cantor estejam posicionados num "palco virtual", e você tem a impressão de estar assistindo a apresentação pessoalmente e não por meio de uma gravação. Pode parecer bobagem, mas para quem gosta de som, isso é prazeroso demais. E não é balela, mas aparelhos de som desses simples que compramos em magazines e que são cheios de luzes que piscam e dizem que tem trocentos watts de potência, dificilmente conseguem fazer a mesma coisa. Podem acreditar.
Na foto acima aparecem vários alto falantes de alta fidelidade. Fiz essa foto na casa de um amigo que é "engenheiro de som". Ele é fera mesmo, e tem um conhecimento vasto sobre o tema, além de um belo acervo de componentes como os que fotografei. Aprendi muito com vários amigos que são feras no tema, inclusive com esse que falei acima. Todos sempre dividiram seus conhecimentos comigo. Isso foi muito bom e sempre que posso, passo esse conhecimento à diante.
Quando comecei nesse hobby de audiofilia, no primeiro momento fiquei empolgado. É curioso como um equipamento de som pode fazer muito mais do que imaginamos. E não digo no sentido desses equipamentos arrumarem a casa ou fazerem café para você e ainda tocarem música. Não é isso! É que ouvir música em aparelhos desse tipo acaba revelando coisas gravadas na música que as pessoas jamais ouviram antes. Vou tentar exemplificar. Meu melhor amigo e eu sempre gostamos de ouvir Michael Jackson. Desde o final dos anos 80, quando nos conhecemos, sempre ouvimos várias músicas, dentre elas a música "Don't Stop 'Til You Get Enough" do álbum Thriller. No meio dessa mpusica há um rife de metais, um que muita gente conhece e que era o tema de abertura do programa Video Show da Rede Globo lá nos anos 90. Tinha na gravação original várias vozes, literalmente um tremendo falatório no meio desse rife. O Quincy Jones deve ter gravado isso no estúdio e inseriu nesse momento da música. Então, já em 2008, quando falei pra esse meu amigo sobre esse novo hobby e sobre essa capacidade de reprodução dos aparelhos de alta fidelidade, ele ficou cético achando que eu estava exagerando como de costume. Haha! Lembro bem do pulo que eu ele do sofá quando botei essa música pra tocar e ele ouvir o tal falatório. Foi até engraçado ver ele próprio me dizendo com espanto que ouvia a tal música por tanto tempo e jamais tinha ouvido aquilo.
Depois dessa explicação maluca, explico também outra "ilusão" que "sistemas de som" são capazes de simular e que é algo que me encanta bastante. É o tal do "palco sonoro". Durante a gravação de um disco, o técnico do estúdio escolhe como aquela gravação irá se comportar ao ser reproduzida. Com os recursos da mixagem em estúdio, o técnico consegue arrumar todos os instrumentos gravados em trilhas de áudio individuais, de forma que ao ser reproduzido num bom sistema de som o ouvinte não ouça o som saindo diretamente das caixas de som, mas sim do espaço entre uma caixa e outra dando a impressão que cada instrumento, músico e cantor estejam posicionados num "palco virtual", e você tem a impressão de estar assistindo a apresentação pessoalmente e não por meio de uma gravação. Pode parecer bobagem, mas para quem gosta de som, isso é prazeroso demais. E não é balela, mas aparelhos de som desses simples que compramos em magazines e que são cheios de luzes que piscam e dizem que tem trocentos watts de potência, dificilmente conseguem fazer a mesma coisa. Podem acreditar.
Na foto acima aparecem vários alto falantes de alta fidelidade. Fiz essa foto na casa de um amigo que é "engenheiro de som". Ele é fera mesmo, e tem um conhecimento vasto sobre o tema, além de um belo acervo de componentes como os que fotografei. Aprendi muito com vários amigos que são feras no tema, inclusive com esse que falei acima. Todos sempre dividiram seus conhecimentos comigo. Isso foi muito bom e sempre que posso, passo esse conhecimento à diante.
Adoro entender como as coisas funcionam. A parte técnica me fascina. Mas no final, não me considero um audiófilo. O que sou mesmo é um melômano convicto. Gosto de ouvir música com qualidade, mas não me apego 100% a reprodução perfeita, como fazem os audiófilos. Além de gostar dos equipamentos e de como tudo funciona, gosto tanto quanto de curtir o arranjo, a letra e a mensagem que o artista tenta passar em cada música que ouço. O bacana é saber também que um hobby, levado a sério ou não, é algo bastante saudável.

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