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| Foto: Focinho do Puma |
Dizem por aí que o carro é uma das paixões nacionais. Essa paixão já foi tema de comercial, de programas de televisão e é recorrente em várias rodas de bate-papo por todo o território nacional. eu sempre fui fascinado por carros. Não é pra menos, pois meu pai, mecânico, e eu também. Cresci vendo ferramentas, sentindo o cheiro de gasolina e o ronco dos motores. Não muito longe havia também uma borracharia/cicle que, nos intervalos dos estudos, eu frequentava assiduamente. Lá havia também um espaço cedido para um mecânico de motocicletas ganhar seu pão. Tudo isso era fantástico para um garoto que como eu, amava velas e pistões.
Os anos foram passando e eu cada vez mais envolvido com carros e motos. Até que decidi frequentar um curso. Nele aprendi muita coisa mesmo. Entendi de fato certas grandezas que passam desapercebidas para a maioria dos entusiastas. Falando neles, assim como todo torcedor fanático se coloca como técnico de futebol, todo entusiasta do mundo automotivo acredita piamente que é um mecânico, quando não um engenheiro. Alguns se aplicam de fato. Outros, hum... nem tanto. O certo é que para muitos, automóveis são como divindades a serem cultuadas.
Acredito que não há fronteiras para esse culto. Tanto que em tudo quanto é canto do planeta há uma enorme quantidade de conteúdo envolvendo carros. Qualquer breve pesquisa revela que há diversas franquias de programas de televisão sobre o tema, cada uma respeitando a cultura e as tendências dos países em que são exibidas. Há milhares de publicações especializadas espalhadas pelo globo, seja em mídia impressa ou eletrônica. Fora que os carros movimentam um mercado bilionário de autopeças e, mais recentemente, de customização. As pessoas realmente encaram automóveis como extensão de seus corpos e personalidades. Sempre desejando torná-los únicos e de acordo com seus sonhos e anseios.
Há também os saudosistas. Esses, que assim como eu, cresceram vendo automóveis e sonhando com alguns deles. Quem da geração anos 80 teve ou pelo menos queria ter um poster da Lamborghini Countach na parede do quarto? Muita gente vai levantar a mão, eu garanto. Outros mitos aqui no Brasil eram nossos "muscle cars". O famigerado Dojão (Dodge Charger R/T), o impiedoso Maverick GT V8, a barca luxuosa que atendia pelos nomes de Galaxie LTD ou Landau. Na mesma época haviam carros míticos, feitos em fibra de vidro pela industria nacional e que eram os "supercarros" tupiniquins da época. Eram eles os Puma, na versão GTE (foto acima) e na versão GTB e o inigualável Santa Matilde SM4.1. Rapazes, isso era "quente"! Quem tinha um carro desses era literalmente um magnata. Eram carros diferentes de tudo por aí. O Puma GTE seria a versão acessível desses carros exóticos, pois tinha uma mecânica bem comum da VW que também equipava carros como Fusca e Brasília. Já o Puma GTB e a Santa Matilde tinham a cultuada mecânica do Chevrolet Opala com motor 6 cilindros de 4100cm³ ou, como alguns devem saber, o tal motor de 250ci (cubic inches ou polegadas cúbicas) chamado por aqui de 250S. Pensem que se no Opalão, que era pesado e com suspensão calibrada para conforto, esse motor já fazia ele andar muito bem para a época, imaginem num carro de fibra com pelo menos 300 quilogramas a menos de massa? Eles viravam foguetes, literalmente.
Nessa época, nosso país viveu uma transição histórica. Deixamos de lado a ditadura militar e passamos a escolher (mau pra caramba) quem seria o chefe da nação. Surgiu um salvador, que tava mais pra playboy escroto do que pra salvador, mas que já puto de ter que andar em carros classificados por ele próprio como "carroças", decidiu abrir o mercado automobilístico nacional para o mundo exterior. Meu Deus! Começaram a surgir algumas das mais interessantes pérolas da nossa cena automotiva. Todas as vezes que lembro daquele maldito comercial do Chevrolet Omega, "o absoluto", fico arrepiado. Putzgrila! O chato é que quase na mesma época tivemos a morte do nosso popular eterno, o Fusca, que acabou dando lugar aos carros populares com motores de baixa cilindrada. A industria nacional que sempre nos taxou como otários, tentou e se lascou, introduzir o tal conceito em carros já cansados no nosso mercado. Lembram do Chevette Junior? Que bomba. Já a Fiat, antes execrada no nosso mercado, passou a reinar com o acertado compacto já consagrado no exterior. Era ele o Fiat Uno. Nessa mesma época da mudança no país, essa montadora deu um grande salto introduzindo tecnologias nunca vistas por aqui. Motor de 16V com injeção eletrônica de combustível "MPI" sequencial. Linha de carros esportivos com turbo de fábrica. Motores de 5 cilindros com admissão e comando de válvulas variável. A lista de inovações é grande. Mas a concorrência não ficou para trás. Fora que nessa mesma época, tivemos a chegada dos japoneses no mercado nacional. Esses "nipônicos" acabaram balizando a confiabilidade mecânica por cima e isso incomoda até os dias atuais.
Agora a onda é o tal "downsizing". Com a evolução dos materiais, dos lubrificantes e da eletrônica embarcada, hoje conseguem colocar uma baita potência em motores bem pequenos. Hoje temos também câmbios, freios e suspensões inteligentes o que elevou o nível de performance e seguranças dos carros. Veremos o que o futuro nos reserva. Mas já adianto que se os carros começarem a voar, para mim vão perder a graça, pois irão virar aviões e isso já é outra história.
E não se esqueçam! Usem o cinto! Se beberem, não dirijam! E se o pneu furou, acenda o farol!!! Salve o Síndico Tim Maia!

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