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| Foto: Passeio no Metrô |
Dias atrás, meu filho surgiu com um pedido inusitado. Acho que ele viu em algum filme ou desenho uma cena que mostrava o metrô. Então, ele me pediu se poderíamos passear nesse "modal".
Tínhamos que comprar-lhe um par de tênis novos para a escola, mas antes havíamos programado ir ao Jardim Botânico. Pouco antes de sair, em conversa com a patrôa, decidimos abortar o JB e partir para o Nova América, que é um "shopping" que tem uma estação de metrô nele. Seriam dois tênis com uma sapatada só!
Como chegamos cedo no local e nada estava funcionando de fato, decidimos pegar carona no metrô. Passamos pela roleta e as perguntas começaram. Por que tem roleta? Por que tem que comprar passagem? Que cartão é esse que a moça deu? etc, etc, etc... Bastou o bichão apontar na curva e as perguntas cessaram. Elas deram lugar para afirmações entusiasmadas: "Papai, esse trem é bonito!", "Caramba, ele tá vindo rápido!", "Tá escrito "Pavuna", eu não quero ir na Pavuna!". E eu respondia de forma monossilábica, "é...", "sim.", "não.".
Rapaz, um admirável "mundo" novo se abriu após a partida. Tudo era diferente. Acho que com ele, assim como foi comigo décadas atrás, o que me chamou atenção além da força de aceleração, foram os diferentes planos da paisagem movendo-se em diferentes velocidades. Puts! Olha eu achando no moleque aquilo que eu gostaria que fosse real. Que nada. Acho que sua atenção foi despertada pelo contraste em relação ao "mundinho" em que colocamos ele pra viver fazem 6 anos. Afinal, como qualquer pai coruja, fico sempre querendo afastá-lo da realidade, normalmente vil e fria que o mundo oferece como praxe.
Zé Ramalho me veio na cabeça no momento em que fiz essa foto. Sua versão, que dizem ser inspirada no romance de Aldous Huxley, tem uma estrofe muito pertinente que repito aqui ao meu modo, mostrando que parece ter sido escrita ontem.
Enquanto poucos fogem da ignorância
Tínhamos que comprar-lhe um par de tênis novos para a escola, mas antes havíamos programado ir ao Jardim Botânico. Pouco antes de sair, em conversa com a patrôa, decidimos abortar o JB e partir para o Nova América, que é um "shopping" que tem uma estação de metrô nele. Seriam dois tênis com uma sapatada só!
Como chegamos cedo no local e nada estava funcionando de fato, decidimos pegar carona no metrô. Passamos pela roleta e as perguntas começaram. Por que tem roleta? Por que tem que comprar passagem? Que cartão é esse que a moça deu? etc, etc, etc... Bastou o bichão apontar na curva e as perguntas cessaram. Elas deram lugar para afirmações entusiasmadas: "Papai, esse trem é bonito!", "Caramba, ele tá vindo rápido!", "Tá escrito "Pavuna", eu não quero ir na Pavuna!". E eu respondia de forma monossilábica, "é...", "sim.", "não.".
Rapaz, um admirável "mundo" novo se abriu após a partida. Tudo era diferente. Acho que com ele, assim como foi comigo décadas atrás, o que me chamou atenção além da força de aceleração, foram os diferentes planos da paisagem movendo-se em diferentes velocidades. Puts! Olha eu achando no moleque aquilo que eu gostaria que fosse real. Que nada. Acho que sua atenção foi despertada pelo contraste em relação ao "mundinho" em que colocamos ele pra viver fazem 6 anos. Afinal, como qualquer pai coruja, fico sempre querendo afastá-lo da realidade, normalmente vil e fria que o mundo oferece como praxe.
Zé Ramalho me veio na cabeça no momento em que fiz essa foto. Sua versão, que dizem ser inspirada no romance de Aldous Huxley, tem uma estrofe muito pertinente que repito aqui ao meu modo, mostrando que parece ter sido escrita ontem.
Enquanto poucos fogem da ignorância
Apesar de viverem em meio a ela
Lembram de melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela...
Acreditando que a única possibilidade
É verem esse mundo se acabar.Gado rebelde, sem marca, é infeliz.
Ao meu filho, deixo os votos de que eu esteja errado. De que ele colha e saboreie os tais frutos que eu sequer senti o aroma, e que apenas passei a vida imaginando seu sabor.
Ao meu filho, deixo os votos de que eu esteja errado. De que ele colha e saboreie os tais frutos que eu sequer senti o aroma, e que apenas passei a vida imaginando seu sabor.

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