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| Foto: Presságio de dias piores |
Aí meu Deus!!! Puta que pariu!!! Morreu MP3!!! Melhor arquivo da praça...
E foi com essa notícia que acordei hoje. Ontem foi um dia mais ou menos. Apesar de ser o "dia das Mães", não aconteceu como eu gostaria. Tanto que nem escrevi algo. Hoje tá parecendo que será do mesmo jeito, pois acordo com essa notícia nefasta: A morte do MP3. O problema não está na decisão da empresa que detêm os direitos do formato, mas nas reações postadas nas redes sociais.
Pois bem, não me recordo de época mais feliz para quem curte ouvir música do que a do surgimento do MP3. Pensem bem. Antes disso era walkman com fita K7 ou, para os "playboy", era o famigerado discman. O MP3 trouxe à baila a portabilidade da música como nunca se viu. Era o sonho de ouro de qualquer melômano poder portar boa parte de sua biblioteca no bolso, as vezes, toda ela. Fora que criar playlists e tocá-las da forma que bem entender tornou-se realidade. Antes, com o K7 isso era inconveniente, mesmo com o famigerado recurso de busca automática de faixas. No CD eu nem falo nada, pois era mais fácil de usar esse recurso. Porém, além de limitado a uma quantidade pequena de músicas, não era todo mortal que tinha um drive gravador de CD em casa, já que era bem caro.
Deixemos as amenidades em "standby" e falemos da hipocrisia. Junto com a notícia da morte do MP3 vieram enxurradas de críticas e acintes. Ora porra! Falemos o clichê modinha do "Quem nunca?!?!". Quem nunca baixou filme pirata? Quem nunca copiou uma fotinha ou gif na web pra enfeitar mensagens de amor ou de ódio? Quem nunca usou torrent? Daí essa galera vem malhar o formato? Vão à merda, com todo respeito, é claro... (risos)
Do outro lado há os audiófilos, que também comemoraram efusivamente a morte do formato. Sempre alegaram que o formato é podre, comprimi o som tirando todas as nuances e trinados que o som real tem. O curioso é que a maioria dos audiófilos já passaram dos 50 anos de idade. Sabemos que a fisiologia humana tem prazo de validade. Os sentidos são perecíveis. Após certa idade, por volta dos 35 ou 40 anos, e dependendo de como o individuo viveu e se cuidou, sua audição pode estragar-se bem antes do tempo regulamentar indicado pelos otorrinos. Assim como a visão começa a defasar após os 40 pela fadiga dos componentes oculares, os componentes do aparelho auditivo também defasa após os 40.
Darei aqui o exemplo real com base na minha audição. Anos a fio trabalhando ao lado de motores de popa, que quando funcionados fora d'água geram um ruído extremamente nocivo, pois passam dos 100dB de intensidade, fizeram com que meu ouvido esquerdo perdesse parte de sua capacidade auditiva. Juntando com um episódio de rompimento do tímpano nesse mesmo ouvido, minha audição ficou bastante prejudicada. E aconteceu no ouvido esquerdo porque em primeiro lugar eu não fui coerente por decidir não usar proteção. E segundo, porque como padrão, todos os motores tem seus ajustes básicos do lado esquerdo, o que fez com que me posicionasse sempre de forma que o meu ouvido esquerdo ficasse exposto para o escape do motor. Hoje me arrependo de ter dado esse "mole". Pra terem uma idéia, no lado esquerdo a audiometria mostra que não ouço quase nada acima dos 7 ou 8 mil ciclos, ou seja, do lado esquerdo não ouço quase nada de agudos.
Depois de todo esse relato para ilustrar como nossos sentidos pioram com o tempo e de acordo com a forma que escolhemos viver, volto a falar dos tais audiófilos que execram o MP3. Pensando no que falei e no fato de que a maioria dos audiófilos têm mais de 50 anos eu pergunto, como eles conseguem de fato ouvir essa "diferença" entre o MP3 e os formatos sem compressão ou de alta resolução? Tem uma charge engraçada onde uma mulher pergunta ao marido como ele pode gastar 2000 dólares num fio pra ligar caixas de som e ouvir a diferença que ele faz em comparação com um fio comum e barato, mas não consegue ouvir ela o chamando da cozinha. É bem por aí. Como diz um amigo meu, audiófilos adoram "exercer seu poder econômico". Pra mim, em maioria, eles são as criaturas mais soberbas e pernósticas que conheço. Adoram tripudiar sobre os demais. Existem audiófilos que são boas e belas exceções a essa regra, mas são poucos.
Falam no FLAC. Eu mesmo tenho bastante arquivos em FLAC. Mas mesmo eles tem suas deficiências. Há quem ache o FLAC inferior, pois já gritam aos quatro ventos que um tal de DSD é o novo suprassumo. O que vem atrelado a essa modernidade é a venda de novos equipamentos, trilhas de áudio, serviços de streaming que sejam capazes de decodificar e ou oferecer serviço compatível com o novo e mais capaz formato. Como não existe almoço grátis, eles cobram mais por isso. Eu poderia falar aqui sobre o conceito de amostragem ou sobre o teorema de Nyquist-Shnanon, mas o texto ficaria complexo. Prefiro parafrasear Costinha e a piada da Odete, melhor cu da praça.
Então, aqueles que ainda resistem a essa era de consumismo desenfreado e abstenção do dever de pensar, acabam se dando conta de que tudo isso não faz lá muito sentido. Se dão conta de que tudo isso é que é opcional. Pena que assim como os audiófilos bacanas, as pessoas que pensam estão se tornando cada vez mais raras.
Eu sigo do meu jeito. Meio que cagando uma tonelada para o que pensam sobre o que falo. E quando algum desses ditos "audiófilos" vêm pichar o MP3 ou dizerem que sou surdo, não me faço de rogado pra dizer "até aí, morreu Neves...". Falando em "Neves" e no cenário atual, talvez essa seria uma boa notícia. Não faria falta alguma, muito pelo contrário.
Vida que segue.

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