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Paralelas

Foto: Paralelas
Rio, três de maio. 
Ano de dois mil e dezessete. 
Perdemos Belchior outro dia. 
Perdemos vários direitos outro dia. 
Perderemos mais? 
O noticiário diz que sim. 
Todos os dias o noticiário diz que sim, que perdemos algo. 
Queimam ônibus pra proteger o tráfico. 
Queimam lixo pra protestar por algo que não existe. 
Queimam vidas como filme vencido. 
O que mais vão queimar? 
Queimarão votos, creio eu.

As grades paralelas mostram o limite. 
Limite imposto pelo medo. 
Só quem tem limites impostos são os que pagam impostos. 
Os que sonegam, os que nem sabem o que é pagar isso, vivem à margem. 
Margem do rio, do Rio, da sarjeta, da gorjeta, da propina. 
Operam sempre na surdina, na medina, na latrina, no raio que os partam. 
Quem os pariu não sei se cobra, se recebe, se é célebre, foda-se. 

Quero apenas meu quinhão. 
Aquele que paguei, que contei, que ganhei com o suor da minha lida.
Quero a contra-partida.
Aquela que chamam de populismo.
Não quero oportunismo.
Não quero achismo.
Foda-se quem assim chama, quem por ele clama, quem acha.

Frigindo os ovos, a vida.
Ponho o dedo na ferida pra ver se alguém berra, grita.
Tô pra ouvir esse berro.
Acho mais fácil ficar cego, surdo-mudo, morto.
No Corcovado, Copacabana, em Havana, ninguém abre os braços.

Só se manifesta a juventude, perversa juventude.
Aquela que só enxerga plenitude no que é fútil.
Não sabem o que é ser útil.
Mal sabem o que é ser.
Só pensam em ter, em beber, se entorpecer, em foder.
Ostentam o que não podem, desejam o que não querem.
Destroem o que é bem comum, pra se sentirem número um.
Mal sabem que são apenas mais um.
Mais um número, mais um na estatística, mais um Silva.

Infinito sou eu?
Duvido.

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