Dando um rolê matinal na praia, porque sou do mar e não sou de ferro, me deparei com um barco e seus pescadores fazendo a manobra de um grande pano de rede. Rapaz! Foram mais de 40 minutos nessa lida, em pleno dia do trabalhador. Curioso era ouvir cada vez que achavam um rasgo na rede, um dos rapazes gritar "o peixe paga!". Sei não. Acho que o peixe mal paga os pecados, que dirá o prejuízo.
No início da lida, o barco estava adernado, quase com o bordo na linha d'água. Pelo cochicho, a pescaria não foi das melhores. Mas acredito que salvou o pão de cada uma das famílias envolvidas. Vida no mar é difícil. Ainda mais em tempos modernos. Sujeira, dejetos e óleo turvam não só as águas, mas também o sangue e o suor de quem vive do mar. Robalo, Tainha, Cocoroca, Piaba, Xerelete, todos vieram pra essa festa. Não saíram satisfeitos, mas são ossos do ofício.
Agora é esperar a maré subir, guardar o pano e preparar tudo, porque no dia seguinte tem mais.
Minha jangada vai sair pro mar, vou trabalhar...

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