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| Foto: Pé com pé |
Os anos 80 foram demais, não é mesmo? Eu acho que sim e eu tenho a certeza disso. Aprendi muita coisa nos anos 80. Aprendi a ser "gente". Todos os que conheço e que são contemporâneos, falam bastante do anos 60. Década onde surgiram grandes bandas, movimentos musicais antológicos, os festivais de música popular brasileira. Realmente, a década de 60 foi maravilhosa, tanto que curto bastante coisa dessa época. Desde carros, música e caixas acústicas e equipamentos de som. Porém, na minha opinião, a década de 60 não supera a década de 80 por um simples fato. Eu não a vivi de fato! (risos)
Tivemos várias coisas boas, vários avanços na década de 80. Mas na música houve uma revolução (pessoal) bem interessante. O pop/rock nacional estava a pleno vapor. Legião, Paralamas, Titãs, Ira, Plebe Rude, Kid Abelha, João Penca, Dr. Silvana, Camisa de Vênus, Metrô, Rádio Taxi, Kid Vinil, Léo Jaime, Marcelo, Absyntho, ufa! Tem muita coisa que devo ter esquecido, é coisa da "idade".
Tudo isso marcou bastante a minha vida. Mas foram as bandas "gringas" que realmente fizeram a minha cabeça na época. A-HA, Duran Duran, Erasure, Eurythmics eram algumas das que sempre fazia questão de ouvir. Mas minhas bandas preferidas sempre foram Tears For Fears e Depeche Mode. Putzgrila! Amo mesmo essas bandas e até hoje ouço quase que diariamente.
Tudo isso marcou bastante a minha vida. Mas foram as bandas "gringas" que realmente fizeram a minha cabeça na época. A-HA, Duran Duran, Erasure, Eurythmics eram algumas das que sempre fazia questão de ouvir. Mas minhas bandas preferidas sempre foram Tears For Fears e Depeche Mode. Putzgrila! Amo mesmo essas bandas e até hoje ouço quase que diariamente.
Lembro da primeira vez que ouvi "Shout". Cacetada!!! Foi um marco na minha vida. Não só o arranjo, no melhor estilo SynthPop, fez Shout arrebatar muita gente, mas também sua mensagem. A letra, por mais embaralhada que ficasse após uma tradução tosca, ainda sim trazia consigo uma mensagem que hoje ainda se faz pertinente. Shout é uma canção de protesto político que encoraja as pessoas a protestar por seus direitos e a não se calarem diante de tanta manipulação. Uma canção considerada simples, mas com arranjo forte, impactante. Outras faixas deles são muito importantes para mim. Dentre elas, "The Working Hour", "Badman's Song" e "Mr. Pessimist".
Mas quando passamos para Depeche Mode é que a coisa complica. Suas canções sempre foram fortes, mas sempre com tom sombrio. Sei lá, mas por mais que sejam uma banda pop, trouxeram consigo algo punk e gótico. Com certeza, influências.
Quando fiz a fotografia acima, fiz pensando numa faixa da banda que também é muito significativa para mim. É a faixa "Walking in My Shoes". É uma letra densa. Talvez muitos achem a letra depressiva, esquisita, mas é tão pertinente como resposta a qualquer critica que surja diante qualquer um. Para quem não sabe, a expressão "walking in my shoes" tem o mesmo sentido de uma expressão comum do nosso idioma, que é o "ponha-se no meu lugar". É muito fácil tecermos criticas diretas e pessoais aos outros ao nosso redor. Ainda mais nos dias atuais, que vivemos cercados pela "patrulha do politicamente correto" que teima em querer policiar e qualificar qualquer pessoa que destoe do que julgam como padrão. Aliás, o tal "padrão" é uma baita ferramenta de controle usada de forma implícita.
Acredito que todos nós devemos fazer o que chamo de "exercício da troca" antes de criar uma opinião. Andar com os sapatos do outro, como diz a letra na tradução literal, faz com que torpecemos nas pegadas que foram deixadas pelo caminho. Que venhamos a entender que cada um calça um numero diferente, e que temos calos e outras imperfeições que podem incomodar aos outros, mas que ao longo do tempo nos acostumamos a conviver com elas. Isso é bom para percebermos que nossa grama é bem verde, mas o nosso "daltonismo social" não nos permite enxergar isso. Estamos sempre preocupados o chão de terra batida do quintal alheio, que esquecemos de dar valor ao que temos, de ver a beleza no que é nosso. Isso é algo bem ruim.
Nunca é tarde para se desculpar. Sempre é válido manter a humildade como cartão de visitas. O "Não" é tão libertador quanto o "Sim", mas não devemos fazer uso desmedido de ambos. Pensem nas consequências que seus atos causarão aos outros antes mesmo de pensar em vocês. Falem menos, ouçam mais.
Bem lembrado! Ouçam mais, música. Porque a música pode trazer muito mais que um simples momento de prazer. Pode trazer mensagens fortes, significativas. Tão fortes que podem mudar o jeito de ver a vida, de lidar com os demais, de amar mais os seus.
PS: Depois de lerem tudo isso e antes de me julgarem por qualquer coisa que tenha escrito, experimentem andar com os meus sapatos. Perceberão que as diferenças são tão grandes, que mesmo ao comparar um pé com o outro, podem deparar-se com uma similaridade sem igual, ou quem sabe com um abismo colossal...

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