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A platéia.

Foto: A platéia

 O fundo do mar intriga a qualquer um. A curiosidade humana é tão grande quanto o Universo que nos abriga. Dizem que o que nos diferencia dos demais animais que co-habitam nossa rocha coberta de água é a tal da inteligência. Já outros humanos alegam que a diferença é o espírito que habita nossos corpos, enquanto os demais animais não os têm. Eu, na minha humilde ignorância acredito que a diferença real está na tal da curiosidade.

 Ela, a curiosidade é que nos move à diante. Ela, nos primórdios nos fez querer ir além. Nos obrigou a criar uma linguagem complexa, para que assim possamos disseminá-la aos demais. Nos compeliu a buscar novos territórios, porque os que eram dominados, e por consequência já conhecidos, se tornavam tediosos, sem a devida graça, eu diria. E assim fomos avançando, movidos pela curiosidade.

 Um exemplo claro disso está nas crianças. Basta reparar o desenvolvimento de uma criança para constatar que o que as faz evoluírem não é o meio que as cercam, mas sim a curiosidade por aquilo que é novo, que nunca se viu. Reparem como as crianças estão sempre prestando a atenção naquilo que nunca viram, mas no segundo seguinte em que assimilam a novidade, ela é completamente deixada de lado e uma nova busca começa. Um retorno ao que já fora visitado até acontece, porém se dá quando surge algum detalhe ou nuance que não fora percebida na primeira visita.

 São muitos os tipos de inteligência. Isso está comprovado cientificamente nos dias atuais. Quem não entende este conceito, normalmente está carregado de preconceitos e de uma ignorância sem tamanho. Podemos dizer que a esse tipo de individuo falta inteligência.

 Outra constatação é de que a curiosidade não é perecível. Ela nunca envelhece, nunca morre. E talvez a maior e mais mórbida manifestação de curiosidade nos persegue desde o momento em que conhecemos nossa trajetória nessa terra. Todos temos curiosidade de sabermos como deixaremos essa vida, mas essa curiosidade normalmente é aplacada pelo medo da perda. Já na terceira idade, parece que há uma maior aceitação desse aspecto natural da vida, e assim, novamente essa curiosidade mórbida volta a povoar nossas mentes. Não com sentido pejorativo, mas apenas como uma espécie de preparação ou de aceitação de uma jornada, muitas vezes bem sucedida.

 Nesse ciclo de vida, morte e curiosidade, seguimos desbravando novos horizontes. Realmente nunca paramos de buscar algo. Seja um novo amor, uma nova roupa, um novo sabor e quem sabe até um sentido para a vida. Só não podemos ficar diante do desconhecido, porque assim ficamos congelados, quase hipnotizados na contemplação do inalcançável. Viramos literalmente uma platéia inerte e boquiaberta esperando quem sabe um dia pode descobrir aquilo que nos encanta.

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