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Fábula da águia

Foto: Monumento

 As vezes me pego pensando sobre o quanto de importância dou àquilo que merece importância de fato. Parece confuso esse pensamento, não é mesmo? E é. Não que eu esteja tergiversando mais uma vez, não é isso. Afinal de contas, quem lê o que escrevo já deve ter percebido que sou um tanto quanto exagerado. Exageros nem sempre são maléficos, podem crer. Eles as vezes são freios necessários para não colidirmos em cheio com certas malícias mundanas.

 Bem, voltando às prioridades em grau de importância, depois desses mais de 40 anos de vida percebo que um dos erros que sempre cometi foi dar um nível de importância equivalente para coisas ou situações totalmente dispares. É como se eu desse o mesmo cuidado e atenção na conservação de algo inanimado e perene, como uma rocha, assim como faria com algo altamente perecível, como leite fora da geladeira. Isso acontece principalmente com pessoas, já que por natureza, me importo mais com pessoas do que com coisas. 

 Há uma fábula da águia que muita gente já ouviu falar. Aquela que diz que a águia quando chega a uma certa idade, acaba arrancando as penas e quebrando seu bico, em seguida fica reclusa aguardando que isso se renove e ela possa seguir a sua jornada até os últimos dias. Não me vejo como uma águia. Tampouco como outro predador de mesma envergadura ou altivez. Mas acho que está na hora de mudar o foco na escala de prioridades. Não vou quebrar o bico ou arrancar as penas, até porque já fiz isso quase a vida toda. Acho que é chegada a hora de me recolher, traçar outra estratégia de vida e tentar recomeçar (pela enésima vez) vislumbrando ser menos altruísta. 

 Vida que segue.

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