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| Foto: Barcos em céu nebuloso |
É, a fotografia tem dessas coisas. Deixei a esposa e o moleque numa festinha de aniversário de um coleguinha de escola dele e resolvi sair para fazer uns "tiros", como diz meu amigo Alberto Ellobo. O roteiro já estava definido na cabeça, a praia da Ribeira.
Lá chegando, percebi que a luz estava difusa, pois o sol antes exposto, agora estava plenamente encoberto por uma densa camada de nuvens. A parte do céu que estava aberta era bem pequena, e o contraste que tanto adoro fotografar estaria relativamente reduzido.
Comecei a tirar a tralha da charanga. Armei o bom tripé. Tirei a velha guerreira da bolsa, a querida D200, e pousei-a no lugar de destaque. enquanto contemplava a cena e decidia a composição, notei no canto do olho direito uma família se aproximando. Continuei nos preparativos para o "fuzilamento" da paisagem. Após o primeiro disparo, notei que a mulher da tal família estava para próximo de mim, com um olhar atento e ao mesmo tempo um comportamento meio arredio. Acho que ela não resistiu e soltou a pergunta "está filmando ou fotografando?". Com cordialidade, respondi após um "boa tarde", que estava fotografando, mas já ciente do que estava por vir. Pimba! Mais uma jovem que decidira entrar para o ramo da fotografia de festas e eventos sociais.
Mantive a cordialidade, mas comecei a indagar também, sobre quais eram as pretensões, se havia feito algum curso e etc. Ela foi respondendo sem pestanejar, pois viu a boa fé de minhas perguntas, todas desprovidas de qualquer soberba ou preconceito. O caso é que as respostas dela me fizeram constatar o que há de pior na fotografia, que é a falta de conhecimento e a quantidade de gente que paga para aprender fotografia com quem sabe tanto quanto elas, ou seja, quase nada sabem. As intenções da jovem eram legais, mas ela foi contaminada com a mesma cantilena de sempre, que se não for "full frame" não presta. De que tem que ter lente 70-200mm 2.8, senão não desfoca fundo. De que a câmera dela, uma D3300, que tem um baita sensor da Sony de 24Mpx com uma baita latitude, literalmente não presta. De que lente do kit é lixo e por aí vai. Engraçado que a pessoa que a ensinou, esqueceu de ensinar o básico, como os modos de medição, como a leitura correta do fotômetro, como o uso otimizado do sistema de auto-focus e etc. É brabo, galera. Míopes ensinando cegos.
Como sei muito pouco, tentei dividir o pouco que sei com a jovem. Seu marido, sujeito gente boa e antenado com o assunto, ficava entregando os anseios da jovem com relação a esses dogmas impostos pelo mercado. Expliquei a ela um conceito que acho básico para qualquer um. O conceito de que o equipamento fotográfico é ferramenta, e como tal, cada versão, tipo ou modelo tem a sua função, o emprego específico para a execução de um tipo de tarefa. Expliquei também que quem não sabe operar as ferramentas, não conseguirá extrair o que elas tem de bom. Muito menos saberá avaliar qual é a ferramenta adequada para o trabalho que deseja realizar, e com isso, acabará comprando o que não precisa e deixando de usar corretamente aquilo que já tinha antes.
Bem pessoal, depois de uns 40 minutos de papo, saí dali com a sensação de que havia feito a boa ação daquele dia. Pedi desculpas para a jovem e seu marido por não ser capacitado o suficiente para ensinar-lhe mais. Mesmo assim, ambos me agradeceram bastante. Principalmente o marido da jovem, que criou argumentos para desencorajar a mulher do neura de gastar o que não tem com algo que sequer sabe usar.
Vida que segue...
Lá chegando, percebi que a luz estava difusa, pois o sol antes exposto, agora estava plenamente encoberto por uma densa camada de nuvens. A parte do céu que estava aberta era bem pequena, e o contraste que tanto adoro fotografar estaria relativamente reduzido.
Comecei a tirar a tralha da charanga. Armei o bom tripé. Tirei a velha guerreira da bolsa, a querida D200, e pousei-a no lugar de destaque. enquanto contemplava a cena e decidia a composição, notei no canto do olho direito uma família se aproximando. Continuei nos preparativos para o "fuzilamento" da paisagem. Após o primeiro disparo, notei que a mulher da tal família estava para próximo de mim, com um olhar atento e ao mesmo tempo um comportamento meio arredio. Acho que ela não resistiu e soltou a pergunta "está filmando ou fotografando?". Com cordialidade, respondi após um "boa tarde", que estava fotografando, mas já ciente do que estava por vir. Pimba! Mais uma jovem que decidira entrar para o ramo da fotografia de festas e eventos sociais.
Mantive a cordialidade, mas comecei a indagar também, sobre quais eram as pretensões, se havia feito algum curso e etc. Ela foi respondendo sem pestanejar, pois viu a boa fé de minhas perguntas, todas desprovidas de qualquer soberba ou preconceito. O caso é que as respostas dela me fizeram constatar o que há de pior na fotografia, que é a falta de conhecimento e a quantidade de gente que paga para aprender fotografia com quem sabe tanto quanto elas, ou seja, quase nada sabem. As intenções da jovem eram legais, mas ela foi contaminada com a mesma cantilena de sempre, que se não for "full frame" não presta. De que tem que ter lente 70-200mm 2.8, senão não desfoca fundo. De que a câmera dela, uma D3300, que tem um baita sensor da Sony de 24Mpx com uma baita latitude, literalmente não presta. De que lente do kit é lixo e por aí vai. Engraçado que a pessoa que a ensinou, esqueceu de ensinar o básico, como os modos de medição, como a leitura correta do fotômetro, como o uso otimizado do sistema de auto-focus e etc. É brabo, galera. Míopes ensinando cegos.
Como sei muito pouco, tentei dividir o pouco que sei com a jovem. Seu marido, sujeito gente boa e antenado com o assunto, ficava entregando os anseios da jovem com relação a esses dogmas impostos pelo mercado. Expliquei a ela um conceito que acho básico para qualquer um. O conceito de que o equipamento fotográfico é ferramenta, e como tal, cada versão, tipo ou modelo tem a sua função, o emprego específico para a execução de um tipo de tarefa. Expliquei também que quem não sabe operar as ferramentas, não conseguirá extrair o que elas tem de bom. Muito menos saberá avaliar qual é a ferramenta adequada para o trabalho que deseja realizar, e com isso, acabará comprando o que não precisa e deixando de usar corretamente aquilo que já tinha antes.
Bem pessoal, depois de uns 40 minutos de papo, saí dali com a sensação de que havia feito a boa ação daquele dia. Pedi desculpas para a jovem e seu marido por não ser capacitado o suficiente para ensinar-lhe mais. Mesmo assim, ambos me agradeceram bastante. Principalmente o marido da jovem, que criou argumentos para desencorajar a mulher do neura de gastar o que não tem com algo que sequer sabe usar.
Vida que segue...

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