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Privacidade.


Foto: Provérbio japonês - Prego que se destaca, é prego que se martela.

 Como havia sugerido noutra postagem aqui no blog, decidi falar um pouco sobre algo tão raro na atualidade. Essa criatura em extinção atende pelo nome de Privacidade. 

 Minha gente, tá difícil viver nas sombras. Há tanta vigilância, tanto controle, tanta imagem, que passar incólume por algum lugar é quase impossível. Mas acho que a palavra chave para essa invasividade ou devassidão, como queiram chamar, é o tal do "controle".

 Com todo o avanço humano como sociedade moderna, criaram a necessidade de controlar as grandes massas de alguma forma possível. Afinal, somos seres descontrolados por natureza. Nos primórdios, criaram a religião como controle. Mataram, castraram, queimaram, marcaram, estigmatizaram e até estupraram em nome de Deus. Era horrenda foi essa. Apesar de acreditar piamente na existência do criador maior, Deus, ser de extrema inteligência e poder, ainda sim não creio na forma como os líderes religiosos lidam com essa figura e principalmente sobre como falam e agem em nome dele, Deus.

 Em seguida criaram as Leis, que na maior parte das vezes só controlam em benefício de quem as fez. Mas isso também é uma história complexa. O espantoso é que as Leis são mutantes. Adequam-se de acordo com a necessidade e conveniência. É duro de aturar essa conduta de adotar 50 pesos e duzentas medidas.

 Num salto de evolução, hoje a maior ferramenta de controle é a internet. Redes sociais, serviços de mensagem instantânea, servidores de e-mail e arquivos, tudo muito bem acessível para os que controlam tudo e todos. Num click de mouse devassam a vida de quem estiver conectado. Feliz do sertanejo que nem sabe o que é zap-zap, quem dirá ter perfil no Facebook. Viver é simples pra caramba, nós que adoramos complicar ao máximo para termos como justificar a mania de auto vitimização.

 Numa grande metrópole, viver off-line é quase impossível. Mesmo os moradores de rua as vezes estão conectados de alguma forma. Enquanto isso, cidadãos fazem força de tornarem suas vidas públicas. Basta o exemplo aqui do blog, onde venho falar de forma espontânea, dividir minhas experiência muitas vezes sem me preocupar com tal exposição, ou falta de privacidade.

 Câmeras, radares, satélites, drones e sensores estão presentes no cotidiano. São cada vez menos visíveis aos transeuntes. Monitorando tudo o que podem, vivem ativos, vivos e vigilantes.

 Falando nisso, o motivo dessa postagem foi o filme Circle. Já assistiram? Recomendo. Não é uma obra prima da sétima arte, não mesmo. Mas desperta a curiosidade ou causa espanto por ser verossímil. É mesmo uma situação intrigante o desenrolar da trama, que demonstra o quão dependentes estamos dessa exposição. Parece que viver exposto e conectado é a nova droga mundial. O comportamento social por conta da tal rede, ou círculo, é tão absurdo que chega ao ponto de provocar a morte de pessoas de forma cruel. 

 Mas como vimos acontecer na vida real, assim como Mark Zuckerberg tem o microfone e a webcam de seu notebook cobertos com fita isolante, os chefões do Círculo também vivem nas sombras, apenas controlando e monitorando o que os demais fazem ou deixam de fazer. O desfecho é interessante. Tom Hanks não está excepcional, e Emma Watson segue tentando se livrar do estigma de Hermione Granger, o que ao meu ver, ainda não conseguiu de pleno.

 Ficam as perguntas; O quão conectado você está? Será que você tem a noção do grau de exposição que as redes sociais promovem? Num futuro próximo, quais as chances de você se arrepender de toda essa exposição? Quais os malefícios que você enxerga que essa exposição te trará a médio e longo prazo? Você estará preparado para as consequências?

 Reflexão é a melhor palavra nesse momento. 

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