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O amor anda em baixa.

Foto: Série Disfemismos Urbanos - "Tá faltando amor"

 Gosto muito de olhar os muros da cidade. Acho que já falei sobre isso antes aqui no blog, mas vale revisitar o assunto, já que andamos muito irados ultimamente.

 Estou vendo nossa sociedade ruir de forma acelerada. Parece com aquela erosão do solo, que se liquefaz botando tudo o que sobre ele está em ruínas. Estamos nos sabotando diariamente. É uma lástima constatar isso.

 Queria ter o dom de voltar no tempo pra ter a certeza de que esse comportamento humano não é cíclico, ou seja, já se repetiu diversas vezes ao longo da nossa história. Desconfio que seja sim. Desconfio ainda que ainda não chegamos ao ápice deste "ciclo" de ódio e auto-sabotagem. Por conta disso, hoje me arrependo de não ter feito outros planos de vida.

 Vejo jovens tão cheios de si, que não conseguem enxergar o vazio que os habita. São como balões de festa, inflados, robustos, mas o que lhes preenche é algo insípido, inodoro, inerte. Falam com tanta propriedade sobre diversos assuntos, mas quase sempre se apropriando das idéias alheias. Digo e repito, pensar hoje em dia é opcional.

 Se repararmos, o que tá faltando é amor. Amor próprio como um todo, não só amor às aparências. Parece que isso importa muito mais , né? Muito mais do que amar ao próximo, devem amar si mesmo. Pois assim saberão como é amar alguém de forma íntima e pessoal, como se dá amor e como se recebe amor. Amar é preciso.

Christopher Nollan reproduziu de forma emblemática no cinema que o amor pode transcender as regras de espaço/tempo. Na visão peculiar dele, tentou expressar que ele molda o universo ao nosso redor e que dentro de cada um de nós há um universo interligado. Bela mensagem que o cinema nos trouxe.

 A Fotografia também me mostrou que posso eternizar o amor. Posso congelá-lo por décadas num frame. Isso é muito bom. Isso revigora, porque me faz pensar que estou propagando o amor para cada um que veja a minha fotografia.

 Outro dia pensei numa frase para a fotografia, e o que surgiu envolvia justamente esse conceito. A frase dizia assim - "Uma fotografia é capaz de propagar o som de uma única voz através de milhões de olhares". Essa frase me veio na cabeça por ter visto uma senhora protestando em nome de sua comunidade, porém sozinha, sem o peso das vozes dos demais, apenas a sua voz branda e suave era ouvida. Acreditei que com a fotografia dela, eu poderia amplificar seu protesto para quem por ventura visse a fotografia.

 Acho que devo fazer o mesmo com as demonstrações públicas de amor. Quem sabe amplifico este item que anda tão em baixa na nossa sociedade.

 O amor anda em baixa. Mais amor, por favor.

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