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Por que discordar causa tanta discórdia?

Foto: Caminhando em sentido proibido

 Certa vez escrevi um texto noutro espaço virtual que tinha o mesmo título, porém o contexto era outro um pouco diferente. Tal texto escrito em 2008 dava conta do radicalismo que vinha aflorando em muita gente no mundo virtual e da dificuldade destes radicais em entender e respeitar a opinião alheia. Esses indivíduos estavam começando a mostrar um sentimento capaz de cegá-los, ao ponto de não enxergarem mais a fina linha que divide a discordância e o desrespeito.

 Ontem vi numa rede social um amigo colocando sua visão de forma pública, indagando algo que lhe parecia coerente. O saldo deste episódio foi negativo ao meu ver, porque os indivíduos em contraponto não souberam ou literalmente não quiseram enxergar essa tal "linha tênue". Resumo, meu amigo ficou tentando explicar sua linha de raciocínio e o contexto de seu questionamento, porém sem sucesso. Esse episódio me motivou a escrever aqui.

 Hoje, bem mais que a nove anos atrás, o ódio e a cegueira seletiva acometem grande parte da população "virtualmente ativa". As redes sociais têm como maioria pessoas tomadas por estes sentimentos e cheias, literalmente lotadas e transbordantes de suas próprias convicções e razões, obviamente baseadas no alicerce de suas conveniências íntimas e pessoais. Falar em público hoje está cada dia mais complexo e parece que estamos mesmo fadados a repetir nossa história nefasta de censura e tortura de outrora.

 Discordar hoje é sinônimo de embate, de luta. O desrespeito tomou vulto e corpo de razão, porque para tais defensores de suas próprias idéias, tudo é válido no amor e na guerra, mesmo que seja antiético e imoral. Nunca houve tanta mentira sendo repetida paulatinamente. E como todos que pensam, sabem que para um povo doutrinado a não pensar, tais mentiras veiculadas de forma maciça tornam-se verdades incontestáveis.

 Essa maioria tomada de si anda ávida por fazer uma justiça que não existe e que nem deveria ser cogitada, porque de justa nada tem. Tal justiça é calcada em favor próprio ou dos seus, e a coerência sempre fica de fora desta festa doentia. Julgam e executam sem chance de defesa qualquer um que se coloque em discordância, mesmo que esse tenha alinhamento ideológico. Ou pior, pois com tamanha ignorância capitaneando essa gente, não há chance sequer para uma interpretação correta do que foi dito, apenas a execução sumária é cabível. 

 No fim desse tempo, acho que restarão apenas os tais intolerantes. E penso isso porque àqueles que pensam, acabarão dando conta de que é uma luta sem fim e que para lograrem êxito, serão obrigados a valer-se dos mesmos métodos, principalmente o de manipulação dessa massa acéfala. Do contrário, serão vencidos pela disparidade de contingente e não pelo poder do argumento.

 Enquanto isso, sigo como a senhora da fotografia que fiz e que ilustra esse artigo. Reparem que ela segue num caminho, mesmo diante de placas alegando ser um "sentido proibido".

Vida que segue...
  



PS:

Signos, sinais e sentidos.

O detalhe mais impactante nessa fotografia é algo que de pronto só faz sentido explicito para mim ou para quem conhece o local e que prestar atenção ao tal detalhe. Sei que se uma piada tiver que ser explicada ela não terá graça, mas aqui sinto sim a necessidade de explicar, porque é algo que me intriga e me causa indagação.

 Ao fundo, no que seria mal e porcamente o ponto de fuga dessa imagem, há um aglomerado de construções, bem ao fundo e no centro do quadro. Numa ampliação da fotografia ficará mais evidente de que trata-se de um cemitério. Essa foto transmite para mim um possível rumo que o nosso povo está tomando, e o que os espera no final desse caminho.

Agora, cabe a interpretação pessoal de cada espectador para decidir se as placas avisando do sentido proibido estão à serviço de uma salvação, ou se o cemitério ao final desse caminho indica uma punição por descumprir os avisos de não seguir à diante?

Ficam as perguntas...

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