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| Foto: "Tevêgrafia" |
Em breve, minha cidade passará pelo chamado "apagão analógico". Isso que consiste em encerrar as transmissões da TV aberta num determinado espectro de radiofrequência até então destinado para as transmissão do sinal analógico e manter apenas a faixa do espectro referente ao sinal digital já ativo. Esse espectro da TV analógica será usado pelas operadoras de telefonia móvel para ampliar a capacidade de transmissão de dados em alta velocidade. Isso é bom.
A tecnologia deve avançar sempre. Acho besteira tentar criticar tais avanços tecnológicos, porque eles favorecem a todos, seja de forma direta ou indireta. A questão é como todos esses avanços serão distribuídos, porque nem sempre alguns estarão ao alcance da maioria.
A tecnologia deve avançar sempre. Acho besteira tentar criticar tais avanços tecnológicos, porque eles favorecem a todos, seja de forma direta ou indireta. A questão é como todos esses avanços serão distribuídos, porque nem sempre alguns estarão ao alcance da maioria.
Televisão, celular, música, vídeo e gadgets em geral são avanços populares e estão sim ao alcance de todos. Já os avanços tecnológicos na medicina, na educação e em outras esferas parecem ser privilégios de poucos. Bem, não é mais um "mimimi", não mesmo. Cada um escolhe o que caminho que quer trilhar e briga, com todas as suas armas para permanecer nele. Mas é foda ver que muitos poderiam estar beneficiando-se de diagnósticos mais precisos, de maior alcance à cultura - não é entretenimento, ok? é cultura mesmo! - e assim melhorar o nível intelectual do país. E isso é ruim.
Falando em cultura, ou a falta dela... Acredito que a culpa de estarmos vivendo uma fase terrível no Brasil é da falência intelectual da nação como um todo. Nossos jovens estão na lanterna do ranking mundial de educação. Isso é ruim demais. E esse foi um processo longo, diferente do que muitos acreditam. Esse "emburrecimento" generalizado é fruto de um projeto muito bem organizado que foi aplicado ao longo de décadas. Creio estarmos vivendo o apogeu desse projeto. Bastam ver a qualidade dos comentários nas redes sociais. Vejam também o tipo de debates abertos em fóruns e a quantidade de reações ensandecidas de muitos participantes. Parecem possuídos por um ódio sem tamanho. E os "formadores de opinião" da atualidade? Puts! A maioria é provida de uma imbecilidade sem tamanho e quase todos intitulam-se como "influenciadores digitais", mas que na verdade, a maioria traz apenas más influências. Péssimas influências, na verdade. A começar por desfigurarem nossa língua sob a desculpa de agilizar as conversas e adequá-las ao meio digital e à modernidade. Que merda.
Uma prova dessa distorção da língua em favor de uma suposta adequação aos tempos modernos é o sucesso de uma rede social que se orgulha do feito de sintetizar opiniões em cento e quarenta caracteres. Essa merda que não deveria ser levada a sério por ninguém, é o maior sucesso entre os jovens. E é sucesso porque quase todos têm preguiça de ler, mais ainda de escrever e quase sempre detestam pensar. Por acaso, eu mantenho um cadastro nessa tal rede social abreviativa apenas para gerar uma pontuação no cadastro da minha linha de celular, e assim obter vantagens pertinentes ao plano que assino. No dia em que esse plano findar ou eu mudar de operadora, encerro a conta na tal rede social imediatamente. E encerrarei não só por acreditar que é uma forma rasa de comunicação, mas porque aqueles que lá frequentam, principalmente os tais "influenciadores digitais" que por lá reinam, em nada agregam, pelo contrário, debitam muito da minha paciência.
Vejam vocês que em todas as mídias temos uma espécie de falência intelectual. A televisão morreu faz tempo. Só está respirando por "aparelhos" (adorei o trocadilho) graças à maioria da população que, por viver no fio da navalha econômica, não pode custear uma educação melhor, e por consequência, ocupar de forma mais produtiva seu tempo ocioso. Alguns optam pelo serviço de TV por assinatura ou por um serviço de internet de alta velocidade visando "melhorar" o conteúdo ao qual têm acesso. O que é válido, pois de fato, existem conteúdos interessantes nestes serviços. Tanto é que a cada dia as emissoras de TV aberta passam apertos com essa concorrência qualificada como desleal por eles próprios. Não há mais aquela guerra acirrada pela audiência como a duas década atrás, que trazia consigo tanto apelo sexual que faria qualquer quadro LGBT pendurado em exposição de banco ficar ruborizado. Hoje, a briga por audiência da TV aberta mais parece uma mendicância, nada além disso. Falando em conteúdo impróprio na tela da TV em plena tarde de domingo, lembrei do programa do Gugu. Qual marmanjo não ficava ansioso para ver a putaria na "banheira do Gugu"? Quantas punhetas não foram tocadas durante o quadro de depilação da Tiazinha no programa daquele sujeito, que hoje posa de puritano e salvador da família brasileira nas tardes globais de sábado, mas que no passado fez de tudo por audiência, incluindo fazer algo que faria qualquer feminista empoderadora pirar nos dias atuais, que é a tal "coisificação da mulher". É, meu povo! É foda de culhão puxado.
Falarei a seguir de uma forma que abomino. Falarei sendo "politicamente correto":
Falarei a seguir de uma forma que abomino. Falarei sendo "politicamente correto":
Nos idos de 1992, como dizia um dos menestréis da sexualização feminina através da música e da dança: Sabem de nada, inocentes!
Tal grupo foi um tremendo sucesso na época, e por diversas vezes afirmavam que seu público era em maioria de crianças, principalmente meninas, que adoravam imitar as coreografias que eles criavam para promover suas músicas. O curioso é que tais dançarinas, ambas providas de ancas largas e glúteos exuberantes, em uma das coreografias, talvez a de maior sucesso, simulavam esfregar suas vaginas em gargalos de garrafas de cerveja (que claramente simbolizavam falos, além de associarem o álcool com a prática do sexo), fazendo expressões faciais e gestos quase obscenos que insinuavam sensação de prazer extremo. Tudo isso acompanhado de gritos como "danada!" e "ordinária!". Realmente, a maioria hoje em dia não sabe de nada, são inocentes. Salvo os meninos de um movimento de libertação que boicotam uma exposição com mais de duzentas obras por conta de cinco quadros com temas de comportamento sexual e cenas de zoofilia. Sabem de uma coisa? Comparando com momento atual, onde não só a TV aberta, mas o país como um todo é um show de contradições amparadas um bando de imbecis tentando posar de puritanos, eu acabo por sentir uma certa saudade das tardes dominicais com bundas e peitos pulando atrás de sabonetes. Ao menos a putaria era encarada de frente, sem tanto falso moralismo. E no final, para amenizar o festival de sacanagem, todos davam as mãos e dançavam ao som de "Baile do passarinho". Tchu,tchu,tchu... hahahahahahaha
Mudando de pau para cavaco, hoje, o desespero por manter a audiência é grande (quem sabe seja porque a putaria é regulada pelos censores do politicamente correto). Então as emissoras e o governo estão numa cruzada para distribuir conversores digitais para aqueles que, supostamente, não podem trocar seus televisores pelos modelos com sintonizador digital embarcado. O mais curioso é que nas grandes capitais, a maioria das pessoas que receberam o tal kit gratuito de TV digital já tinham televisores de tela plana com o sistema integrado. A quantidade de anúncios destes kits em sites venda na internet é imensa. O pessoal retira o kit e o vende por cem reais em média, só pra faturar um qualquer em cima do "governo". Na minha opinião, é uma puta sacanagem. Depois aparecem nos telejornais reclamando que posto de saúde fechou, que escola não tem merenda e etc.
No final, nós, que somos o restante da população, só recebemos famoso "kit-pariu", que consiste na fatura compulsória para custear a manutenção da audiência de empresas que já faturaram rios de dinheiro de todos os lados. Isso me revolta e muito. Revolta porque estão gastando uma baita grana para dar estes kits que, na maioria serão vendidos para usar o dinheiro sabe-se lá onde. Enquanto isso, hospitais de todas as esferas estão fechando as portas, universidades estão fechando as portas, servidores estão com salários atrasados, patrimônio público está caindo aos pedaços. É uma merda generalizada e o governo tá cagando uma tonelada para isso. Afinal, o governo precisa desses veículos de comunicação para ficar bem na fita, pois ano que vem teremos eleições e sem a TV, muito político acaba tomando na "tarraqueta".
O bom seria que houvesse um apagão geral no mau conteúdo. Independente da mídia. Mau conteúdo deveria ser boicotado. Mas infelizmente isso é utopia, porque o povo gosta mesmo é de violência e putaria, o resto, para essa maioria, é chato.
E como diria o palhaço Bingo:
No final, nós, que somos o restante da população, só recebemos famoso "kit-pariu", que consiste na fatura compulsória para custear a manutenção da audiência de empresas que já faturaram rios de dinheiro de todos os lados. Isso me revolta e muito. Revolta porque estão gastando uma baita grana para dar estes kits que, na maioria serão vendidos para usar o dinheiro sabe-se lá onde. Enquanto isso, hospitais de todas as esferas estão fechando as portas, universidades estão fechando as portas, servidores estão com salários atrasados, patrimônio público está caindo aos pedaços. É uma merda generalizada e o governo tá cagando uma tonelada para isso. Afinal, o governo precisa desses veículos de comunicação para ficar bem na fita, pois ano que vem teremos eleições e sem a TV, muito político acaba tomando na "tarraqueta".
O bom seria que houvesse um apagão geral no mau conteúdo. Independente da mídia. Mau conteúdo deveria ser boicotado. Mas infelizmente isso é utopia, porque o povo gosta mesmo é de violência e putaria, o resto, para essa maioria, é chato.
E como diria o palhaço Bingo:
"A vida não é brincadeira não..."
Ps. - Falando no Bingo, sugiro que assistam o filme dele, "Bingo, o rei das manhãs", pois ele mostra uma pequena parte do que é o bastidor de um programa de TV. No caso, á uma parte da história do palhaço Bozo, que foi recorde de audiência no SBT. Muito interessante mesmo e vale o ingresso.

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