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Começar de novo.

Foto: Menina veneno

 Tenho evitado falar abertamente sobre questões que andam despertando o ódio de ambos os lados desta polarização incoerente que criaram em nome da democracia. Mas desta loucura que estamos presenciando contra as mulheres em coletivos eu não posso me calar.

 E por isso, tomo emprestado do mestre Ivan Lins o título de uma música que virou hino feminista em 1979, quando foi gravada pela cantora Simone, mas que hoje está esquecida pelas mulheres empoderadas por hits vazios e cheios de conotações sexuais como os das cantoras de sucesso do momento. Nada contra as artistas em questão, mas se essas meninas de hoje soubessem interpretar sua mensagem e tivessem noção de que um dia ele foi entoado em prol da libertação feminina das garras de uma sociedade puramente machista, talvez entendessem melhor o que devem buscar de fato para seus protestos. 

 Gente, temos diversas mulheres em nossas vidas, e elas podem sim tornarem-se alvos deste tipo de abuso. Por isso devemos falar abertamente, sem pudores ou regrinhas "politicamente corretas" (argh!) para censurar nossos pontos de vista.

 Estes canalhas que andam gozando nas mulheres em coletivos deveriam levar umas surras bem dadas. Ora merda! Nós homens, quase sempre somos caçadores instintivos do sexo. Porém, isso não nos dá o direito de impormos nossos desejos carnais contra quem quer que seja. Olhar uma bela mulher, admirar sua beleza e imaginar o que quer que seja de forma silenciosa e pessoal é algo normal para qualquer homem heterossexual. Mas não devemos passar dessa contemplação e imaginação se não tivermos o sinal verde da contraparte. Não acho correto chamar uma mulher do que quer que seja sem que haja alguma conexão explicita que permita elogios ou até mesmo alguma frase que designe o desejo carnal. Resumindo, chamar mulher de gostosa, só se a conversa for para esse lado e com a permissão da mulher.

 
Já no lado das mulheres, muitas parecem enxergar certas situações de forma distorcida. Hoje falam tanto em "empoderamento feminino", igualdade e liberdade, mas quando se deparam com uma situação como essa do abuso de um maníaco sexual reincidente, nenhuma sugere que o tal empoderamento abranja a defesa pessoal. Um baita choque nestes filhos da puta os deixariam desacordados e em seguida, garanto que iriam pensar duas vezes ao tentarem repetir tais atos. Eles são contumazes, principalmente porque sabem das brechas da Lei como a inimputabilidade por transtornos mentais e certas decisões judiciais descabidas que criam jurisprudência favorável. 
 Agora, com relação a decisão tosca de um juiz que fez uso de uma visão simplista ao dizer "Não houve emprego de violência", devemos lamentar e muito. Ora porra! Como não houve violência? E a violência psicológica? E o dano a honra e a moral destas mulheres? Gostaria muito de saber qual seria a reação do magistrado se fato igual ocorresse com sua esposa, namorada ou irmã, e um colega seu decidisse da mesma forma? Bem, estou certo de que isso não ocorreria de fato. A justiça só é lenta, ineficiente e injusta para o cidadão comum, que vive sem foro privilegiado e que não veste toga. Para a população de bem o que resta é o rigor da Lei e nada mais.

 Diante disto só me resta dizer:

 Mulheres, defendam-se!

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