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Ô Cride! Fala pra mãe não ir na exposição!

Foto: Disfemismos urbanos - Odeio Azeitona!

Vamos jogar um pouco de éter nesse pequeno foco de incêndio veiculados nos noticiários. Hoje, as Leis de incentivo à cultura dão isenção fiscal para as empresas que "lucram" com os espetáculos, certo? Isso, aos olhos dos politicamente engajados não é um assistencialismo corporativo por uma série de fatores que eu julgo mais furados que nota de 3 mangos.

Vide os bancos que lucraram bilhões no último período, mas que receberam isenções em tributos ligados a setores classificados como em risco de colapso. Me refiro ao episódio do banco Itaú, que cresceu 10,7% apenas no segundo trimestre, contabilizando 6,1bi de lucro e recebeu parecer favorável para perdão de 20bi em impostos por conta de uma suposta omissão de dados na fusão com o Unibanco. Se governos ao longo da história mascaram números para pedalar a economia à diante, se o Tio Sam escondeu de todos os números fantasiosos de seu mercado imobiliário que fabricou trilhões e trilhões de doletas em papéis podres, quem me convencerá que na época dessa e das demais fusões os ganhos de capital não foram realmente mascarados para que tais dívida fossem menores? Papai Noel e Coelho da Páscoa pulam e festejam efusivamente diante de minha opulenta barriga. Mas voltemos ao tema cultura vs. povão.

Ora porra! Se a Lei é de incentivo à Cultura, para o povo, obviamente, por que não subsidiam os valores gerais para que o mesmo povo, que é chamado de burro por não ler, não ir a exposições e etc, possa ter acesso e beber dessa fonte? Veja o quão idiota é o conceito. O incentivo, que deveria prover acesso à cultura, na verdade provém lucro para quem está literalmente cagando uma tonelada para a cultura e só pensa em lucrar com todo o processo. Um amigo meu fechou o pensamento com um relato imprescindível para embasar esse meu raciocínio. Porque ele pertence a uma classe social diferente (acima) da maioria da população, e mesmo tendo um bom emprego, vida financeira estabilizada e etc, ainda sim não consegue arcar com os custos de programas culturais de uma maneira geral por conta dos altos valores cobrados. A precificação destes espetáculos e eventos é dada com base mercadológica, sem deixar de visar um lucro significativo para todos os envolvidos. Então, mesmo com isenções, as empresas que patrocinam ou que produzem tais eventos e espetáculos não repassam essa "molezinha fiscal" para o valor do ingresso.

Logo surgirão os cientistas políticos engajados e sérios dizendo que isso é assistencialismo, populismo e o cacete, quando na verdade, o povo iria gastar mais consumindo estes eventos, por consequência as empresas venderiam mais espaços o que geraria maior arrecadação por parte do governo. Se colocares na balança, fazendo aquela famosa "matemática boba", veriam que as perdas de arrecadação seriam muito menores do que com a mamata de dar isenção pra quem já tem o cu cheio de dinheiro e nem sabe mais onde botar, nem que seja em malas dentro de apê fechado.

Enquanto isso, não há um corno sequer (de ambos os lados dessa polarização) acompanhando e viralizando nas redes sociais as conclusões de mais de seis meses de trabalho da CPI que prova que a Previdência Social é superavitária. Estão preocupados com obras de arte que estão sendo expostas por décadas sem nenhum chilique por parte deles anteriormente. Alegam que a exposição foi "direcionada" para crianças, por conta de uma citação na Portaria do evento. Mas não mostram de fato qualquer que seja o material que prove tal "direcionamento" nefasto, ou ao menos a palavra "criança" ou similar na mesma portaria. Diga-se de passagem, brasileiro não gosta de ler nem o manual do iPhone que tanto ama, vai ler Portaria oficial de evento? Vejam os blogs que estão às traças, enquanto os vlogs, que não dão trabalho de "ler", bastando assistir como se fosse "TV", fazem um sucesso filho da puta. Ler e pensar são verbos em desuso. Outro detalhe interessante para citar é que a exposição contava com aproximadamente duzentas - isso mesmo, 200 - obras de arte, mas apenas cinco - você leu certo, apenas 5 - tinham conteúdo que envolvia cenas de sexo ou de citação à sexualidade. Boicotar uma exposição é direito de qualquer um, mas com isso tirá-la do circuito é demais. O banco errou em "arregar" para esse boicote. O pessoal do boicote também não falou porra nenhuma sobre a matança dos índios. Curioso, né? Também nunca os vi falando nada da sexualização das crianças por meio de artistas. Aliás, sexualização de crianças vem sendo amplamente televisionada em rede nacional desde uma certa "rainha" das manhãs, e continuou sendo forçada até os dias atuais por meio de diversos exemplos bem mais libertinos que as obras da exposição. Lembro como se fosse hoje da cena de várias meninas de 7, 8 anos de idade dançando "na boquinha da garrafa" e os pais sorrindo para isso, fora os absurdos tipo "meu pau te ama" entre outros. Hoje, como estão pregando o "empoderamento feminino", meninas de 12, 13 anos, que se sentem poderosas, falam amplamente de sexo em conversas pornográficas que até marmanjos barbados ficariam com envergonhados de manter com seus amigos num boteco. Basta ver os prints de tais conversas que surgem aos montes nos memes veiculados no Whatsapp. Diga-se de passagem, outra ferramenta desvirtuada pelos brasileiros foi o Whatsapp. Usam toda essa infraestrutura de troca de mensagens excepcional para um propósito muito pior que o da exposição do Queermuseu. Mas como essa putaria é feita no "inbox", ninguém quer barrar ou boicotar de fato. Já dizia Mark Twain - "Nunca faça nada de errado quando alguém estiver olhando". Se boicotarem o zap-zap, dá merda - vide os bloqueios judiciais do aplicativo que criaram frisson nacional. É uma foda mal dada.
Por outro lado, a massa de manobra só precisa ter jogo do mengão ou do coringão rolando e o litrão de cerva estar estupidamente gelado para que tudo se resolva, mesmo que seja no amor ou na porrada. Povo burro, porém feliz, não invade o planalto, não vai pra rua, não boicota eleição ao invés de boicotar exposição e etc. Apenas fica bradando em rede social ou em fila de banco.

Pra não perder a viagem, vejam o exemplo recente destes irmãos ordinários que têm trilhões de patrimônio e falam "pobrema", "nois vai". É desafiador para alguns entender isso. Eu entendo, mas é papo para outra hora. O que posso dizer é que eles têm a expertise de serem canalhas, de pagar bilhões de propina para lucrar exponencialmente com isso. Basta olhar o caso da operação cambial feita por eles durante a manobra em que participaram.

Enquanto isso, vou contando meus caraminguás para tentar quitar as contas do mês e, em paralelo, sigo me perguntando sobre o motivo real de não ter deixado esse hospício enquanto pude. Acho que a culpa foi da televisão, ela me deixou burro, muito burro demais. Agora é tarde pra reclamar da vida dentro dessa jaula junto dos animais. Me resta reclamar das azeitonas. Odeio elas. Ô Cride, deixa a mãe quieta, vai perturbar a puta que pariu outra pessoa.

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