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Pausa dramática.

Foto: Feira da Lavradio


Desabafo


 Depois de mais de dez dias sem escrever, volto ao blog com um certo frescor de outrora. Está difícil escrever algo que não esteja impregnado com comentários políticos, e isso já deu no saco para mim por hora. Não aguento mais esse tipo discussão, porque discutir com pessoas que não tem o menor conhecimento histórico sobre o tema vira papo de maluco. O curioso é perceber que mesmo sem o menor embasamento, tais pessoas estão sempre cheias de razões vazias e quando desconhecem o assunto, simplesmente o ignoram alegando que os mesmos inexistem. 

Deixemos toda essa cagada de lado e falemos de amenidades, coisas boas e belas que nos cercam e que ainda nos trazem alegria, regozijo.



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Feira do Rio Antigo

 Fazia tempo que não visitava a feira da rua do Lavradio. Essa feira, batizada de "Feira do Rio Antigo", acontece mensalmente sempre no primeiro sábado de cada mês. Na minha opinião, é uma das mais ricas em diversidade sócio-cultural. Parece estranho dizer isso, né? Mas não é! Vemos todo o tipo de artesanato, arte, música, folclore, misticismo, enfim, tem de tudo mesmo. Tanto é que a poucos metros de distância, temos apresentações de bandas e grupos distintos, que me proporcionaram desde ouvir um trio argentino tocando o "Libertango" do Piazzola, até uma banda marcial tocando "Despacito", que é o hit das rádios na atualidade. 



 Roda de capoeira não poderia faltar, bem como uma ampla diversidade de artesanato africano. Foi curioso ver no meio da feira uma barraca de artigos militares. Nela tinha um Jeep utilizado na segunda grande guerra, bem como vários apetrechos com o mesmo tema. Arte, amor, religião e guerra, tudo misturado e convivendo naquele diorama em tamanho real que representa o reflexo da nossa existência numa exposição pública a céu aberto.

 Bom também foi poder abraçar os amigos. Revê-los revigora bastante. Ver que permanecem unidos num ideal, no caso o da fotografia, é o que me mantém motivado a fotografar em cores as belezas que me cercam. Do contrário, me sinto compelido a abstrair da cor e registrar o grito de dor presente em cada centímetro de rua que percorro. Isso é necessário, e não deixarei de fazer, mas confesso que estava agravando minha depressão. Não dá pra viver enxergando só as mazelas do mundo e não as trazer consigo. Isso é impossível. E acredito que a cura se dá através dessa mudança de ares, nessa pausa dramática da minha jornada fotográfica voltada para a "fotorrealidade". Vida que segue...

 

 E voltando à feira, digo que ela é demais e que. pretendo revisitá-la sempre que oportuno. Ela é uma baita viagem cultural tremenda, encrustada no centro antigo do Rio de Janeiro. Vale a visita, nem que seja só pra aprender mais um pouco sobre a riqueza e a diversidade que nossa raça, a humana, amealhou nesses poucos segundos de existência marcada pelo relógio universal, o Big-Bang.




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