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Não deixe a história morrer!

Foto: Casa grande

 Lindo casarão, não é mesmo? Eu acho bonito demais. Tanto é que semanalmente estou nesse local. Este casarão é resquício de uma fazenda que havia na região. No caso, ela ficava no bairro da Ribeira, na Ilha do Governador. Hoje, seu terreno é utilizado como horto, onde compro algumas das plantas que cultivo em meu apartamento.

 O curioso é que sinto muita tranquilidade quando estou nesse local. É uma sensação tão boa que não sinto a menor vontade de ir embora. Quase sempre surgem figuras inusitadas no local. O papo rende bastante, e quase sempre tem como pauta a história da Ilha do Governador e o quanto dela já perdemos para o descaso, tanto da população que depreda, quanto do governa que não mantém e regula.

 No domingo passado durante a visita que fiz, conheci o senhor da fotografia ao lado. Paulo é seu nome, e veio morar no bairro da Ribeira muitos anos atrás. Contou-me que cresceu em meio a natureza exuberante da região. Por vezes se embrenhava na mata para conhecer o local, suas belezas e curiosidades. Certa vez diz ter encontrado até ossos de índios na região, onde havia um cemitério indígena, e que tais ossadas foram objeto de estudos pela UFRJ. O que realmente me espanta é que não haja nenhum espaço para mostrar toda essa história do bairro e assim, ao longo das gerações essa rica história vai morrendo. Fora que o espaço que lá está, no caso, a Casa do Índio que fica do outro lado da rua, está passando por dificuldades. A conversa foi tão boa que chegou na presença dos fenícios e seu rei Badezir, que habita o imaginário de muitos aficionados pela história antiga do nosso país. E falando na história antiga do Brasil, recomendo o livro "1499 - O Brasil antes de Cabral" do jornalista e escritor Reinaldo José Lopes, pela editora Harper Collins.

 O que sei é que o local é dotado de uma energia muito boa. Plantas de várias espécies habitam a mata presente na propriedade. O solo encontrado no local é fértil e favorece qualquer cultura, além de propiciar a atividade principal do local, que é a venda de plantas ornamentais. Há ainda o casarão da foto principal, que pode tornar-se um belo espaço para atividades culturais ou quem sabe um restaurante temático ou rústico. Espero que o local permaneça preservado, pois detestaria ver a destruição de algo tão belo e ainda preservado.

 Parafraseando Edson Conceição e Aloísio Silva eu peço, "Não deixe a história morrer!". Essa é a dica que dou para quem ler este artigo. Junte o ato de fotografar com a preservação histórica do seu bairro, da sua comunidade. Não precisa ter qualidade museológica ou técnicas apuradas de fotografia documental. Basta apenas que façam seus registros com carinho e sentimento, porque assim tudo ficará eternizado de forma bela. Tá aí um bom projeto de cidadania para qualquer um realizar. É uma bela forma de contribuir para a preservação histórica da cidade como um todo.

Vida que segue!

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