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O mundo é um moinho.

Foto: Pétalas

  Tudo está muito esquisito. Notícias ruins não param de pipocar por aí. Bate boca entre líderes de países com ameaças de ataque nuclear dão o tom das notícias. Guerra na Rocinha. Arrastões. Tiroteios pra todo lado. Aumento da violência. A coisa tá feia.

 Do nada recebo um vídeo no whatsapp de um rapaz que se jogou da ponte Rio-Niterói. A droga ceifando mais uma vida. E olha que alguns dizem ser boato a tal traição que motivou o suicídio. Pior são os comentários que li pela internet. A maioria de desdém e crítica. As pessoas amam julgar os outros, mas uma autocritica nunca é bem vinda. 

 Em seguida o ódio gritando mais uma vez. Agora com um homem que abriu fogo contra uma multidão num show na cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos. Matou mais de cinquenta pessoas e feriu mais de duzentas. Tirou a vida logo em seguida e tudo ficou por isso mesmo. Virou lamento e número em uma estatística. O que me espanta é que amigos visitaram a cidade não faz muito tempo. Poderiam estar diante de uma tragédia como essa. É triste. 

 Por fim, a arte, que deveria ser provocativa por natureza, é julgada por extrapolar os limites da sociedade moderna. Há quem defenda o que aconteceu no museu. Eu abomino. E não estou aqui justificando para tentar parecer bonzinho ou para "ficar bem na foto" com quem quer que seja, não mesmo! O intuito desse posicionamento é abrir os olhos dos "artistas" que conheço ou que leem o blog e também das pessoas que de uma maneira geral não entendem a arte, mas que precisam entender o verdadeiro responsável pelo absurdo cometido contra aquelas meninas.

 A Arte não tem culpa. A exposição poderia acontecer sem problema algum. Não vejo mal em ter uma instalação feita com uma figura humana nua, de qual sexo for. Ter quadros com cenas de sexo de qualquer natureza. A história está cheia delas ao longo de milênios da nossa existência. A interação com a obra viva também não me causa estranheza, pois a anatomia humana é algo perfeitamente natural e está presente em qualquer ser humano vivo. 

 O problema está em expor conceitos complexos a seres que ainda não são capazes de discernir tais mensagens. Indivíduos imaturos que vão com total certeza interpretar de maneira equivocada a mensagem do artista. A culpa é de quem forçou esses indivíduos imaturos a passar por tal situação. 

 Expor uma criança, que ainda está em processo de formação moral e do entendimento sobre as convenções sociais, que não sabe discernir a malicia de qualquer envolvimento físico e psicológico  e que não entendeu sua própria sexualidade, é ato nefasto e de uma brutalidade tremenda. Pior ainda é um indivíduo usar desse absurdo como meio de promoção midiática para defender uma "causa" que sequer lhe pertence de fato. 

 Imaginem o constrangimento dessas crianças nas ruas, em locais públicos ou na escola que frequentam no dia seguinte ao ocorrido? Quais os traumas silenciosos gerados nas mentes destas crianças, e o que eles podem acarretar futuramente no comportamento social delas? É muita imbecilidade destes responsáveis. Deveriam ser punidos.

 O que as pessoas não entenderam é que até a liberdade tem limites. E são limites muito bem definidos, por sinal. A sociedade atual parece estar empenhada em destruir esses limites, tanto que os ultrapassam sem o menor pudor regularmente. E a conta de toda essa imbecilidade normalmente é paga por quem está alheio ao fato. 

 Com isso, outros indivíduos tão imbecis quanto, aproveitam-se da situação em favor próprio vendendo uma imagem que não lhes pertence. Logram êxito inventando uma persona fictícia, falsa de fato. E como a imbecilidade está reinando em toda parte, muitos acabam comprando a tal salvação sem se darem conta que estarão fazendo aos seus, um mal igual ao que fizeram com as crianças no museu. Um mal de proporções gigantescas e provavelmente irreparáveis.

 Nessas horas a letra de Cartola me faz muito sentido. Porque realmente o mundo é um moinho, e por sorte, mesmo que demore, ele irá triturar tais sonhos mesquinhos, fará pó das ilusões vendidas como verdades absolutas. Tudo é uma questão de tempo, mesmo que seja longo aos nossos olhos. 

 Outra verdade da letra está nesse amor estranho que hoje pregam. Um "amor" fugaz, que dura até o amanhecer ou até acabar o numerário que se tem na carteira. Amor tão falso quantos as estátuas que abominam, mas de solidez equivalente à oferta dada. E o que sobra disso tudo é apenas o cinismo. Afinal ele prevê a base do absurdo relatado acima. O desapego com as regras morais e convenções sociais que regem a vida em sociedade. É isso que sobra. E no desfecho destes atos, estaremos mesmo a beira de um abismo que nós próprios cavamos. É surreal.

 Nostradamus que me perdoe, mas Cartola passou a ser meu vidente favorito.

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