![]() |
| Foto: Quasar |
Numa leitura de atualização do blog do meu amigo Alberto Ellobo, o Lubi di Goro, deparei-me com um texto muito interessante sobre a interação entre as pessoas e como esse tipo de situação vem se tornando mais rara e complexa a cada dia. Então resolvi deixar uma mensagem para esse meu amigo e as palavras fluíram...
Fluíram tanto que surgiu o texto que está logo abaixo.
Interface
Uma interface é a fronteira que define a forma de comunicação entre duas entidades.
Se muitos soubessem disso, talvez estivéssemos em melhor situação de uma forma geral. Mas estão todos fechados num tal de "mundo virtual" que quase nada sobra para o mundo real. O que sobra são as sobras daquilo que por lá não é bem vindo, já que estão todos sempre sorrindo, de bem com a vida, ou "de boa" como a galera entoa.
O que sei é que o que me afeta é a essa mania abjeta de forjar a cara lavada de tudo o que se quer ser sem poder, sem viver, sem saber o que de fato é bom. Estão sempre cantando num tom dissonante, distante de tudo o que cativante, distante da realidade de ser.
Queria eu poder desligar essa gente, e quem sabe assim mostrar-lhes o quanto são carentes de gente, não bits e bytes, mas de ações reais, toque, saliva, suor e lágrimas.
É uma lástima essa lágrima que escorre pela tela de LED, causando curto circuito no que nos impede de sermos apenas nós mesmos, que impede de desvendarmos segredos uns dos outros que nossas faces jamais conseguiriam esconder ao olharmos uns para os outros.
Barreira maldita é essa tal tecnologia, que escraviza quem fui num passado remoto e filtrando tudo de bom que já fui um dia. Dela ei de me livrar, quem sabe agora, outrora, daqui um mês, nunca talvez. Penso que poderia ser melhor quebrar tudo o que me cerca e ir morar no mato, mas jamais farei isso de fato, pois sou covarde ao ponto de admitir que sem a tal tecnologia não consigo nem dormir.
Acho que sou mesmo um "borra botas" que sequer consegue enxergar onde a felicidade brota, se é do meu coração ou do apertar de um botão. E pensar que maldisse os outros logo acima, sem pensar que abaixo assumiria os mesmos erros em forma de rima, dando o braço a torcer que sou igual a eles sem tirar nem pôr, e que de minha pele exala o mesmo fedor do medo de descobrir que morri sem me dar conta se fechei os olhos ou desliguei a tomada, se fechei a ferida ou formatei minha vida dando-a por encerrada.

Comentários
Postar um comentário