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Samba de verão.

Foto: Foto-em-síntese

 Luz do sol, que a sombrinha traga e traduz. Não sei o que resulta, mas sei que traz consigo um mormaço digno dos pulmões de qualquer dragão flamejante. Estamos sempre acostumados a ver como ilustração do verão carioca as famosas praias da zona sul, todas de águas azuis e infestadas de gente bonita, sarada e com pouquíssima roupa. E todos ficam afoitos, em polvorosa, loucos para saltarem e verem as meninas que vêm.

 "Garotas de Ipanema" e "Meninos do Rio" flertam e desfilam pelas areias e calçadões das orlas mais cantadas mundo a fora. É realmente algo digno de se eternizar em verso e prosa e fotografias também, não é mesmo. O poetinha, mesmo desprovido da beleza Dionisíaca, já afirmava ao mundo que ela era fundamental. Roger Scruton também coloca sua visão sobre o tema, tentando explicar porque a beleza importa. E em partes eu concordo que ela é fundamental, mas não obrigatória.

 Na arte, na natureza, na música e em outros aspectos, realmente a beleza se faz fundamental. Sempre que mergulho nesse universo da subjetividade humana começo a questionar sobre o que realmente é belo aos demais. Sabemos que na natureza há uma série de padrões, formas e arranjos passíveis de explicações matemáticas capazes de justificar o belo. A Fotografia nos ensina muito bem sobre isso. Nesse aspecto ela é realmente fundamental. 

 Mas como fica a percepção humana? Por onde cada indivíduo começa sua análise para determinar o que é ou não belo? Como funciona a interpretação humana sobre esses aspectos? Todas são perguntas que ainda não sou capaz de responder. Friso o "ainda" porque quero dissertar mais sobre o tema, tanto que estou motivado a documentar melhor o cotidiano das pessoas comuns, dos milhares de indivíduos, no sentido literal da palavra, que compõem o cenário cotidiano e fazem parte do tal "tecido social". Afinal, cada um deles insere parte do seu "eu" para costurar essa colcha de retalhos mutante, que é capaz de um dinamismo inimaginável.

 A foto ilustra um pouco disso. O verão no Rio é encarado como um misto de salvador e algoz. Não traz consigo apenas a beleza curvilínea dos corpos femininos expostos ao seu manto de luz. Ele traz a dureza à lida diária e também o sustento de muitos. O caso é que cobra um preço elevado para prover tal benesse, quase como um contrato repleto de cláusulas leoninas. Então o povo "se vira" como pode, usando o que está à mão como filtro solar na esperança de amenizar o jugo do Astro Rei.

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